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As maiores petrolíferas mundiais precisam de cortar 1,5 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros) nos novos projetos, estando obrigadas a reduzir até 30% na despesa em novas explorações para suportar o petróleo barato, prevê a consultora Wood Mackenzie.

O estudo da Wood Mackenzie, citado no “Financial Times” (FT), refere que as maiores companhias petrolíferas vão ter de cortar entre 20 a 30% na despesa em novos investimentos para suportar a queda das receitas motivada pela descida do preço do petróleo, de acordo com a Lusa.
A indústria petrolífera está em pleno processo de mudança, procurando baixar os custos e aumentar a rentabilidade das explorações de petróleo, cujo preço desceu mais de metade desde junho do ano passado, lançando uma boa parte dos países produtores numa cruzada para descer a despesa pública e acomodar os novos preços.
Do lado das empresas, a procura é mais ou menos a mesma, e inclui iniciativas tão inovadoras como colocar cães a farejarem fugas de gás, em vez de desmontar o equipamento camada por camada, ou partilhar helicópteros com as empresas concorrentes, ou até fazer os navios fornecedores andarem mais devagar para poupar no combustível.
O objetivo principal das companhias é transferir os cortes para os fornecedores e reduzir as ineficiências, tentando ao máximo não fazer cortes nos dividendos aos acionistas, os primeiros responsáveis pela manutenção das administrações nas empresas.
“Se as principais petrolíferas conseguirem melhorar a eficiência dos custos e do capital ao ponto de os dividendos estarem novamente assegurados, então o tamanho do prémio é realmente grande, mas se não conseguirem, então os dividendos vão mesmo ter de ser reduzidos”, considera o analista Martijn Rats, da Morgan Stanley, ao FT.
Para já, os mais afetados são mesmo os fornecedores das empresas petrolíferas, admite Arnaud Breuillac, presidente do departamento de exploração e produção da Total, umas das maiores companhias do mundo, quando diz que a renegociação dos contratos assegurou uma redução de custos de até 30% nos poços petrolíferos: “Estamos a cortar a nossa perfuração ao máximo usando a flexibilidade prevista no contrato”.
Os padrões, explica a análise do FT, mudaram. Um exemplo? A redução da força de trabalho em quatro navios de apoio à produção na costa de Angola, todos colocados a 20 ou 30 quilómetros de cada um. Aqui, a ideia foi diminuir o número de tripulantes permanentes e implementar uma equipa de manutenção única e partilhada por todos.
No Golfo do México, a Royal Dutch Shell resolveu ignorar os poços de acesso mais difícil e concentrar-se nos mais simples, o que permitiu poupar 20% no orçamento.
Por muito imaginativas que sejam, as iniciativas para cortar os custos não vão chegar para acomodar os lucros desejados pelos acionistas nesta indústria, considera a Wood Mackenzie, que diz que só metade dos cortes necessários na despesa podem vir do “aperto” passado aos fornecedores, pelo que se torna obrigatório repensar os planos de desenvolvimento.
Um dos exemplos deixados pelo vice-presidente dos projetos de águas profundas na Shell, Ian Silk, tem a ver a com a harmonização da maquinaria que a indústria usa na exploração petrolífera, defendendo que deixe de haver 28 tons de amarelo para pintar o equipamento submarino, ou 250 tamanhos diferentes de válvulas.
A normalização, aliás, é uma das principais batalhas da norueguesa Statoil, que lidera uma campanha na indústria para uniformizar os procedimentos e materiais, à semelhança do que fez a indústria automóvel há cerca de 30 anos.
12-10-2015
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