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Concretiza-se hoje o acordo estabelecido entre Manuel Fino até ontem principal acionista da construtora, e António Mosquito, comunicado ao mercado em 13 de Agosto e 26 de Novembro de 2013.
Essa operação tornará António Mosquito o maior acionista da construtora após uma injeção de capital de 70 milhões de euros.
António Mosquito, empresário angolano, tem interesses nos mais diversos sectores, assumindo-se como independente do poder do Estado.
Nascido em 20 de Março de 1947 em Calenga, província do Huambo, António Mosquito passa a partir de hoje a controlar a Soares da Costa, através da aquisição de 66,7% do grupo de construção civil criado pelo português José Soares da Costa em 1918.
António Mosquito fechou acordos de compra da maioria da Soares da Costa ao empresário Manuel Fino e de uma posição de controlo no Grupo Media (dono da Controlinveste), em parceria com Luís Montez (42,5% em conjunto).
Tido como um empresário razoavelmente distante do poder político angolano, António Mosquito não quis nunca seguir um percurso abertamente político. Mesmo assim é apontado como um homem próximo do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que se quis rodear de homens de negócios não exclusivamente oriundos do interior do seu partido, o MPLA.
Segundo algumas fontes, António Mosquito era, em Abril de 1974, gerente de uma fazenda de sisal situada na região do Cubal, a Oliveira Barros & Companhia, para onde o seu pai o havia levado ainda novo. Os donos da empresa retiraram-se para Portugal na sequência da Revolução, tendo deixado os interesses do negócio nas mãos do gerente - que aproveitou para aprender a gerir num ambiente de crescente instabilidade, que demoraria várias décadas a ser superado.
Interessado em dar passos mais sustentados no mundo dos negócios, Mosquito criou a Mbakasi & Filhos em 1980 - génese de um grupo que agregaria vários parentes e amigos do empresário e que em pouco tempo haveria de passar a ser conhecido por Grupo António Mesquita (GAM). Num país em guerra, conta o filho Horácio numa entrevista recente, o GAM rapidamente diversificou para a importação e comercialização de uma série de produtos, tanto de consumo como de transformação. Paralelamente, o empresário deixou as terras do Huambo e rumou para a capital.
Num país onde estava tudo por fazer (a guerra civil angolana durou de 1961 a 2002), a paz foi o esteio necessário para que a economia pudesse crescer.
A GAM entrou, como vários outros grupos empresariais, em regime de alta velocidade. Em pouco tempo agregou em seu torno interesses dos mais diversos sectores, onde se contam a importação de automóveis Audi e VW (em larga escala fornecidos ao Estado); a construção civil, em associação com os brasileiros da Odebrecht e os portugueses da Teixeira Duarte; a exploração petrolífera (desde 1998), através da Falcon Oil (que Mosquito comprou no Panamá e cujo nome resultou da vontade de o empresário comprar um avião Falcon), que chegou a estar quase na falência antes de agregar novos interesses ao inicial Bloco 33; a produção de cerveja, prevista para ser repartida com os franceses da Brasseries Internationales Holding); a exploração mineira (diamantes), concentrada na KSM-Kassypai Sociedade Mineira; e a banca, onde, em 2008, comprou 12% do Banco Caixa Geral Totta Angola (em parceria com a CGD). A criação de uma holding tornou-se uma necessidade: a GAM Holding, que hoje entra na Soares da Costa, está sediada no Luxemburgo. Segundo Horácio Mesquita, indústria, transportes, restauração, gás e energia e novas tecnologias fazem parte dos interesses de diversificação do grupo.
António Mosquito foi distinguido com o prémio angolano Sirius, para o melhor empreendedor de Angola.
Católico e mecenas de diversas instituições de caridade - para além de patrocinar clubes de futebol e outras agremiações da área do lazer - António Mosquito é referido pelos seus amigos como um homem interessado em desenvolver Angola a partir do anonimato possível, sem excessos de ostentação ou outras superficialidades.
Fonte: Económico
